VOCAÇÕES: DESAFIOS E POSSIBILIDADES

Na cultura atual está presente o pluralismo cultural e também religioso, exigindo de cada católico, maturidade e capacidade de dialogar com essa pluralidade, mas sem perder sua identidade religiosa. O fenômeno da pluralidade é reconhecido pela Igreja no Concílio Vaticano II, especialmente, através da Constituição Pastoral Gaudium et Spes. No pluralismo em que vivemos, muitas vezes, as pessoas fazem para si um conceito de Jesus Cristo sem semelhança autêntica com os Evangelhos, mas conforme seus próprios gostos ou ideologias. É preciso responder com sinceridade a pergunta de Jesus Cristo: E vos, quem dizeis que eu sou? Lc 9,18-22. Nesse contexto social, as novas vocações são um desafio para os Institutos de Vida Consagrada.

O sofrimento causado pela pandemia, também afetará muito a capacidade humana de ver o mundo e suas realidades e nem se sabe, onde levará. Espera-se que aja uma maior aprendizagem sobre o valor da vida humana, da natureza e que se imponha uma justiça social, onde mais pessoas sejam incluídas. Nessa pandemia, o essencial se evidencia e o gasto com armas e outros desvios, naquilo que poderiam favorecer melhores condições humanas aparecem na sua total inutilidade.

Á partir dessas realidades precisamos considerar as novas vocações e redimensionar a caminhada vocacional das pessoas consagradas. Há exigência de maior conhecimento da realidade numa visão crítica, mas conforme os critérios evangélicos. Exige visão aberta e bem consolidada para que diante dos fatos e de muitas fakes, avaliar o que está atrás dessas manifestações. É necessário, porque cada vocação implica em missão, onde ressoa a voz de Deus: “Vi o clamor do meu povo (..) conheço o seu sofrimento “Ex 3 7.

Na preocupação vocacional presente em todo o Instituto Secular, geralmente, a primeira coisa que se propõe é divulgar o Instituto, através de diversos meios de comunicação, porém é preciso refletir sobre a vida interna do Instituto. O sorriso de cada consagrada tornando-se a mais autêntica divulgação do Instituto, porque reflete o vede como se amam (Atos 2, 47) e torna-se convite para que outras pessoas façam essa experiência vocacional.

Ao chamar-vos, Deus diz-vos: Tu és importante para mim, eu amo-te, conto contigo. Compreender e sentir isto é o segredo da nossa alegria. Sentir-se amado por Deus, sentir que para Ele nós não somos números, mas pessoas e sentir que é Ele que nos chama. Esta é a beleza da consagração: a alegria, a alegria... Para Francisco

As vocações são um dom da Divina Providência que deve ser acolhido e cultivado.  A vocação se alicerça na experiência do encontro pessoal Jesus Cristo. Não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande idéia, mas no encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva (Bento XVI, Deus Caritas Est). Papa Francisco no seu pontificado propõe uma fé viva e ativa, não como uma referência abstrata na vida do cristão, mas que faz mover a ação, na esperança e numa caridade operativa e inclusiva. Assim, o testemunho forte de vida cristã consagrada, atrai novas vocações pela alegria do ser e pela misteriosa transcendência do cotidiano, apontando para Jesus Cristo.

A alegria expressa em doação generosa pelos irmãos, especialmente, pelos mais oprimidos e excluídos interroga o mundo, onde predominam os interesses pessoais e materiais: como alguém possa doar-se sem interesse pelo bem do outro? Às pessoas sensibilizadas pela experiência vocacional, recebem o convite: Vinde e vede! Jo 1,39. Na realidade, somente no mistério do Verbo Encarnado encontra verdadeira luz, o mistério do ser humano. GS 22. Portanto, a base de toda promoção vocacional deverá ter presente a importância do encontro com Jesus Cristo e o compromisso pela causa do Reino, na oportunidade de conhecer o carisma dos Institutos Seculares e do carisma específico de determinado Instituto.

A adesão vocacional a um determinado Instituto é demonstrada pela pessoa sentir-se integrada, sentir que lá é o seu lugar e que aquele determinado carisma corresponde ao anseio do seu coração pelo sentido de pertença ao Instituto, como identidade carismática e comunidade cristã fraterna.

As novas vocações são um termômetro que medem a vitalidade de um determinado Instituto. É preciso observar o que está acontecendo, quando por anos não aparecerem novas vocações, interrogar-se como se está vivendo o carisma, dom do Espírito Santo e fonte de vitalidade e que perpassa a espiritualidade, a consagração, a expressão dos votos e a ação apostólica.

O dom vocacional precisa ser cuidado e, a partir dessa necessidade, organizar a espiritualidade e a formação com conteúdos significativos que expressem o carisma. É fundamental a reflexão sobre a Leitura Orante da Bíblia com atitudes coerentes com o Evangelho, caminhando nos passos da Igreja e conhecendo a herança da fé cristã, especialmente do Concilio Vaticano II.

Os desafios dos dias de hoje não podem ser desculpas para acomodação e não acreditar que possam surgir novas vocações, mas confiar na Divina Providência, no esforço em corresponder à graça de Deus pelo testemunho, na fidelidade ao carisma pelo trabalho de promoção vocacional e o convite às pessoas com sensibilidade ao carisma especifico do Instituto.

×

Hello!

Click one of our contacts below to chat on WhatsApp

×