São Paulo, 02 de abril de 2020. 

 

QUERIDOS (AS) IRMÃOS E IRMÃS, 

PAZ E BEM!  

 

Estamos vivendo a Quaresma de maneira peculiar. Diante do sofrimento de tantas pessoas somos convidados a ser: “sinal de esperança e confiança”, somos chamados a ser mais que nunca “pessoas de fé”. 

Agora, próximos da Semana Santa e o contexto em que vivemos nos leva a uma reflexão maior e aprofundada sobre muitos valores que estavam esquecidos e sobre uma adaptação a uma nova maneira de viver. 

Refletindo o Gênesis, o livro nos fala do pecado original que consistia na ânsia do poder ser igual a Deus. Ainda hoje o grande pecado do mundo é esse: o ser poderoso, ser melhor que o outro, o mais inteligente, o mais sábio, enfim, o melhor…  

Não há ninguém como Deus. No entanto, Ele se despojou de sua divindade e veio a nós. Para nos resgatar Ele se sujeitou às leis deste mundo. Veio para nos mostrar o Caminho para o Pai, esse Caminho passa pela humildade, passa pelo sofrimento e a morte. 

Não há ciência, economia, poderes que salvem o homem. O que salva o ser humano é o Amor. Este Amor passa pela comunhão com Deus através da oração. A oração é uma escola de esperança porque quando ninguém mais nos escuta, temos um Deus que nos ouve e ajuda. 

Esse Amor passa pela comunhão com os irmãos, na comunidade, na defesa do direito, da justiça e do bem comum. Consiste em amar, respeitar e valorizar a família, aqueles mais próximos que tantas vezes deixamos distante. 

Esse amor passa ainda, pela solidariedade com o sofrimento do outro, isto nos torna mais humanos e então, o amor de Deus se manifesta. Deus revela a sua face precisamente na figura do Servo Sofredor que partilha a condição do homem abandonado por Deus, é Deus presente no sofrimento humano. Ele assume nossas dores, somos incapazes de compreender, mas pela fé podemos intuir. 

Jesus nos revela as características e as exigências do Reino, através de suas palavras, suas obras e sua pessoa. O Reino de Deus destina-se a todos os seres humanos, pois por todos deu a sua vida. O Reino de Deus diz respeito: às pessoas, à sociedade, ao mundo inteiro. Significa saber que Deus é presente na história. Construir o Reino quer dizer trabalhar para a libertação do mal, sob todas as suas formas. 

A vida se torna esperança graças a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Em Jesus ressuscitado, o Reino de Deus se cumpre, se realiza. 

 Vamos guardar tempo para a escuta do Evangelho, a comunhão fraterna, a oração, meditação, e principalmente através de gestos concretos de solidariedade, por meio da palavra, pelos meios de comunicações ou doações, pois muitas pessoas passam por dificuldades financeiras, famílias, moradores de rua e tantos outros. Vamos colaborar com a oração, a palavra e a ajuda financeira para aqueles que puderem. 

Como disse Dom João Braz Aviz em sua mensagem aos Consagrados, devemos mais intensamente nos dedicar à oração, sacrifício, penitência, jejum e caridade, pois são armas poderosas para arrancar do Coração Eucarístico de Jesus a graça de uma cura total de uma doença tão insidiosa. Nossa Senhora nos ajude a sermos fiéis, perseverantes e a permanecer de pé diante do sofrimento e da morte. 

A transformação do mundo e a cura começa a partir de cada um de nós, na cura de tantas limitações, quando superamos nossos preconceitos, mágoas, tristezas, rancores; na responsabilidade e no cuidado pelo outro; aí o Reino e a Ressurreição acontecem, geram vida nova para si e para o outro. 

Não há mal que não traga em si um bem, uma lição. Que após este tempo de purificação o Senhor nos ajude e ajude o mundo todo a olhar a vida, as pessoas e todas as criaturas, com mais amor e respeito. 

 Estejamos unidos (as). 

 A CNIS do Brasil deseja a todos e todas uma FELIZ PÁSCOA! 

Aparecida de Guadalupe Cafaro 

Presidente da CNISB 

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